Terça-feira, 8 de Setembro de 2009

Fim do Jornal Nacional de Sexta sem responsável conhecido

O terramoto político causado pelo fim do Jornal Nacional de Sexta (JN6) de Manuela Moura Guedes pela administração da TVI continua a provocar réplicas, mas ainda não foi identificado o seu epicentro. Depois de na quinta-feira ter remetido todas as explicações para a Media Capital, a Prisa negou ontem qualquer interferência na decisão e insistiu nas responsabilidades em solo português.


O pingue-pongue entre a empresa-mãe (Prisa) e a sua subsidiária nacional (Media Capital) mantém-se. Fonte da Prisa precisou à Lusa que foi uma decisão "da direcção" do canal" e "com o envolvimento da direcção-geral da Media Capital". Mas na véspera a Media Capital atirava a responsabilidade para a Prisa e ontem nada quis acrescentar.

O PÚBLICO confirmou, no entanto, que a decisão foi comunicada na segunda-feira por Juan Luis Cebrián (administrador não-executivo da Media Capital e presidente executivo da Prisa) a Bernardo Bairrão. O administrador-delegado da Media Capital, que acumula o cargo de director-geral desde que José Eduardo Moniz saiu há um mês, explicou a Cebrián que o timing não era o adequado, por ser em vésperas do regresso do programa e pela promiximidade das eleições.

Na terça, Bairrão comunicou a decisão ao director de informação, pedindo segredo para tentar demover Espanha. Quarta-feira, derrotado, informou a direcção de que não havia retorno. Anteontem veio a decisão irrevogável que serviu de rastilho ao incêndio: a direcção de informação, de que Moura Guedes é subdirectora, pediu demissão e a equipa de editores seguiu-lhe o exemplo. E tudo o que se segue não tem segredo.

A notícia provocou ondas de choque e entrou na pré-campanha eleitoral. As suspeitas de interferência do Governo PS, que durante meses manteve uma relação conflituosa com a TVI, foram invocadas pela oposição e por vários analistas, enquanto os socialistas e o primeiro-ministro rejeitaram a suspeição e consideraram que eram eles as principais vítimas.

Ontem à tarde, o Presidente da República comentou o assunto. "A liberdade de expressão e de informação foi um bem precioso que conquistámos no 25 de Abril e penso que todos os portugueses desejam que seja preservado", afirmou Cavaco Silva em Lisboa. Questionado insistentemente sobre se foi posto em causa esse "bem precioso", Cavaco afirmou: "Espero que não, espero que não".

Em Berlim, onde se reuniu com a chanceler Asngela Merkel, a presidente do PSD confessou estar muito preocupada com o caso e prometeu tomar uma posição no regresso a Lisboa. 

Media Capital à venda

Na Prisa e na Media Capital não se desconhece que a saída de Moura Guedes da apresentação do JN6, em tempo eleitoral, marca a pré-campanha. Contudo, os gestores insistem que os seus timings são empresariais. Isto num momento em que o grupo atravessa sérias dificuldades financeiras e de relacionamento com o Governo espanhol.

Depois de anos de bom entendimento com os socialistas de Felipe González, a chegada à liderança do PSOE por José Luís Zapatero marcou um progressivo distanciamento. O facto de Zapatero ter apoiado a criação de um novo grupo de comunicação, a Mediapro, que controla o canal televisivo La Sexta e o diário espanhol Público, agravaram a situação. 

O mais recente episódio aconteceu no Conselho de Ministros extraordinário de 13 de Agosto, quando o executivo avançou com o decreto da televisão digital terrestre (TDT) por subscrição. Uma hora depois, a Mediapro anunciou o início das emissões de Gol TV, o seu canal por subscrição de TDT.

"A suspeita de que a verdadeira urgência para aprovação do decreto-lei é favorecer os interesses de uma empresa cujos proprietários estão ligados por laços de amizade ao poder foi sugerida inclusivamente por quem aplaudiu a medida", escreveu no El País Juan Luís Cebrián. Em entrevista à Cadena SER, a rádio do seu grupo, o CEO da Prisa foi mais longe: "Preocupa-me a qualidade democrática do nosso Governo, estar no poder não o autoriza para governar de forma caprichosa e arbitrária". 

Certo é que o grupo Prisa necessita de uma injecção de capital de pelo menos 300 milhões de euros até Outubro, para responder à pressão financeira dos bancos que concederam à empresa um adiamento nos empréstimos actuais, segundo a imprensa espanhola citada pela Lusa. O portal espanhol El Confidencial, que cita fontes da empresa, refere que a Prisa está a investir em várias alternativas para vender parte dos seus activos, numa altura em que a dívida total da empresa ultrapassa os cinco mil milhões de euros. 

Recorde-se que os bancos credores da Prisa, com destaque para o Santander, concederam em Maio um empréstimo de 1950 milhões de euros, que se vence em Março de 2010, com "duras condições" que a empresa terá que cumprir. Para isso, a Prisa está envolvida em várias negociações paralelas, sendo que uma das mais importantes se relaciona com a venda de 40 por cento da Digital Plus, a sua plataforma de televisão paga. Em curso está também a operação para venda de parte da Media Capital. Ao que o PÚBLICO apurou, o Natexis, banco de investimento francês, delegou no Financia, banco de investimento português, a tarefa de procurar um comprador da Media Capital.

TVI volta ao Freeport

Na estação de Queluz, o ambiente durante o dia foi de profunda tensão, com a ainda subdirectora de informação Manuela Moura Guedes a impedir que o trabalho da sua equipa fosse para o ar, permitindo apenas a transmissão de duas peças sobre o caso Freeport. O JN6 acabou por abrir com uma peça que dá conta de que a investigação judicial segue agora a pista de outro primo do primeiro-ministro José Sócrates, José Paulo Bernardo Pinto de Sousa, informações ontem também publicadas pelo semanário Sol.

Na segunda peça afirma-se que o secretário nacional adjunto do PS, André Figueiredo, já foi "interrogado" pelos investigadores, acrescentando que Pedro da Silva Pereira, ministro da Presidência e antigo secretário de Estado, também será ouvido no âmbito do processo, mas apenas depois das eleições.

publicado por KV às 16:00
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Manuela Moura Guedes em entrevista ao Publico a 03/09/2009

Depois da saída de José Eduardo Moniz, julgou-se que Manuela Moura Guedes estaria por um fio na TVI. Amanhã volta com o seu Jornal Nacional de Sexta-feira, alvo de uma chuva de críticas, do Governo aos reguladores - que ela também nunca poupa na resposta. Faz finca-pé na filosofia que cultiva no jornal e no seu estilo frontal - é impossível ficar imune ao que se está a noticiar, garante.


Há alguma mudança no formato ou filosofia do Jornal Nacional de Sexta-feira?

Não, só fez férias. Um jornal é um jornal, não tem muito que se lhe diga.

É um semanário e há um tratamento e apresentação diferente das notícias se forem emitidas no Jornal de Sexta ou de outro dia.

Este jornal tem uma linha editorial nítida: é completamente directo, não faz rodriguinhos. Os jornalistas que o fazem confrontam e questionam as pessoas das reportagens de maneira directa e sem qualquer tipo de rodeios, têm a mesma forma de abordagem das notícias. As peças, porque são de mais investigação, exigem um tratamento muito mais duro.

Porque trata histórias mais delicadas? Guardam-se exclusivos para o Jornal de Sexta?

Há quem tenha ideia que por serem histórias mais delicadas é preciso ter rodeios. Não há histórias delicadas: as histórias ou são verdadeiras ou não são, ou conseguimos prová-las ou não. Se sim, há que as pôr no ar, questionar sem rodeios e de modo a que as pessoas as percebam. Em jornal de televisão não dá para voltar atrás, não só o próprio tem que nos perceber como as pessoas que estão em casa têm que nos perceber. A pergunta tem que ser breve, concisa e directa, frontal.

Se é subdirectora de informação, por que não há essa filosofia nos outros dias?

Porque há editores intermédios, eu não consigo estar em tudo, não consigo incutir em toda a gente - e também não sei... nem toda a gente tem essa facilidade de fazer este tipo de coisas. Há pessoas que têm mais dificuldade de fazer este tipo de abordagem.

Essa frontalidade tem-lhe trazido sempre problemas.

Teve altos e baixos. Enfim, não há nenhum político que me ligue, não me lembro, há anos, de falar com um assessor. Não tenho esse tipo de contactos, também não preciso deles. Posso até dar lições de como fazer jornalismo sem falar com eles senão na altura da confrontação pública, do contraditório.

Nunca conseguiu ter ninguém do Governo no seu jornal.

Não, nenhum, nem percebo porquê.

Isso é uma ironia.

Não, não percebo. Porque é impensável numa democracia, num país europeu, pseudo-desenvolvido, que um Governo, todo ele, se escuse a ir a um jornal tendo recebido dezenas e dezenas e dezenas de convites. Quando digo dezenas é mesmo dezenas. Obviamente que há ministros que não foram convidados, mas são raros. Nós temos uma contabilização, eu já perdi a conta. 

Porque têm orientações?

Não querem, obviamente. Tive alguns secretários de Estado. As pessoas esquecem-se que o Governo tem responsabilidades públicas de dar resposta aos cidadãos.

E o contraditório?

Depois da ERC, que pseudo-regula a actividade dos órgãos de comunicação social, dizer que este jornal que não fez o contraditório, tenho pena hoje de não dizer em cada uma das peças que não tivemos resposta. Sou presa por ter cão e presa por não ter. Se dissesse em cada peça que questionámos mas o Governo ou a administração pública não falou diziam que estava a fazer campanha contra o Governo, a provocar. Se não digo é porque não fazemos o contraditório. O Governo nunca fala para este jornal e portanto o contraditório é impossível. 

Até que ponto isso condiciona a equipa?

Nós já temos o maior zelo em tudo o que fazemos. Condicionou-nos neste ponto, não no que era essencial. Tenho sempre que pensar duas vezes no que vou dizer.

Já pensou em desistir, ir embora?

Há alturas em que fico um bocado farta desta gente, mas ainda não ao ponto, pelo menos ultimamente, de dizer que me vou embora. Mas chega a uma altura é que o cansaço é muito grande e começo a pensar "será que vale a pena?"

E tem valido?

Profissionalmente, tenho a consciência tranquila. Porque o jornalismo se se faz com seriedade e com espírito de não cedência, seja em que área for, é sem nome. Preciso de fazer o jornalismo sem pensar que estou a trabalhar ou para a TVI ou seja para quem for. Eu quero é que o trabalho que fazemos seja útil. Até alertamos para o que está bom, mas normalmente alertamos para o que está mal. Os políticos querem é que se aponte o que está bom. Mas o que está bom é suposto que assim esteja.

O jornalismo contrapoder.

O jornalismo actualmente não é visto como um contrapoder, infelizmente. Há uns tempos alguém ficou irritado porque usei a expressão "morder as canelas" e vieram logo troçar. Pois morder as canelas não é morder o pescoço, não é o atacar; é estar ali sempre atento, não deixar descansar, é responsabilizar, chatear. É ser contrapoder, não é ser antipoder - e as pessoas confundem isso.

Tem sido muito crítica do jornalismo actual.

Tenho muita vergonha do jornalismo que se faz. Estive do lado de lá, por pouco tempo, mas deu para perceber muita coisa. E num sítio onde a política está muito nos corredores e onde os jornalistas passam muito tempo nos corredores. Assisti às coisas e confesso que tive vergonha.

Há demasiada proximidade?

Há promiscuidade e falta de preparação dos jornalistas. E cedem muito facilmente.

Conscientemente?

Odeio pensar que estou a ficar como aqueles dinossauros que eu dantes criticava, mas vejo uma impreparação tão grande e uma falta de interesse até pelas coisas que fazem parte da profissão, pela história, pelo que se passa. E depois é difícil relacionar os factos.

Nesse campo " verde" do jornalismo é mais fácil aos governos cultivarem.

E não só. Dantes era uma coisa sagrada. A política, as áreas económicas e o jornalismo eram coisa que não se tocava. Havia regras, até se pecava por excesso. Agora misturam-se muito facilmente, um jornalista fica babado se um político lhes telefona, ou pensa que um dia poderá ser assessor ou ser escolhido para um gabinete. Será por causa do mercado, porque são pagos, por medo de serem postos de lado.

Já sentiu isso na TVI?

Naquela fase em que eu não estava a apresentar o jornal, uma pessoa respondeu-me que não fazia algumas perguntas porque se calhar depois era despedido. "Olha, vê o que te aconteceu", disse-me. Achei alarmante. 

Alguma vez foi de facto pressionada?

No dia em que for pressionada eu saio do ar. E quando não me virem no ar é porque alguma coisa se passou. 

Já avançou com os processos contra o primeiro-ministro?

São dois processos, o do director-geral e o meu. Há várias pessoas que quiseram juntar-se e que se calhar ficam juntas ao processo. Não quero falar sobre isso, está entregue ao advogado.

O que distingue a informação da TVI das outras?

A independência. Nós somos mais independentes que a SIC, seguramente, e não estou a dizer isto por ser da TVI.

Com a saída do José Eduardo há alguma indicação de mudança da filosofia na informação?

Espero bem que não. Para já nada. Mas as pessoas foram nomeadas interinamente.

Mais do que pelas notícias em si, é criticada pelo estilo de apresentação. Onde se inspirou?

Em lado nenhum, sou eu. Porque não sou alforreca. Os meus pivots não são inócuos, tento sempre juntar mais informação e contextualizar a peça, ligá-la a outros acontecimentos, de maneira a que as pessoas percebam o enquadramento. 

Mas junta-lhe um tom muito crítico...

É o meu tom. Acho isto fantástico. Andou o mundo inteiro a chorar o Walter Cronkite, um fulano que chorou, comentava tudo, tomou partido em não sei quantas coisas: "Um grande senhor!" Eu, que digo "pois", "mais uma vez", faço umas coisas que são do senso comum, sou criticada. E os pivots que dizem brejeirices, piscam o olho, fazem caretas quando vêem umas maminhas e uns rabinhos? Isso ninguém vê, nem a ERC nem os críticos, nem os outros jornalistas. Isto é estupidez. E já sobre a falta de isenção, de independência, o não tratarem os assuntos, repetirem a mesma notícia sem referirem que é quinta ou sexta vez que se anuncia uma coisa, tudo isto passa ao lado e estão preocupados se eu levanto uma sobrancelha ou se é o meu estilo ou não. Não... quando é política não se pode dizer nada, porque a política é sagrada.

Revê-se num paralelismo entre o Jornal e o Independente de há 15 anos?

Felizmente, porque o Independente, naquela altura, toda a gente esperava para saber que notícia trazia que deitava o ministro abaixo. A diferença é que hoje os ministros não vão abaixo - o que quer que aconteça permanecem no mesmo sítio, há muita impunidade. 

Aguarda com expectativa o resultado das eleições?

Eu e toda a gente, não?

Que consequências pode ter no seu futuro profissional?

[risos] É melhor colocar reticências na resposta... 

publicado por KV às 15:57
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Sábado, 5 de Setembro de 2009

Cavaco Silva espera que a Liberdade de Imprensa não esteja a ser posta em causa

O presidente da República alertou para as eventuais ameaças à Liberdade de Imprensa no caso TVI. Mas a verdade é que, um dia depois do cancelamento do "Jornal Nacional" e da saída dos directores, pairam dúvidas sobre a autoria da decisão.

 

Ontem, a Prisa empurrou para a Media Capital a responsabilidade pelo afastamento de Manuela Moura Guedes. À noite, tal como estava previsto, a peça relativa ao caso Freeport abriu o noticiário, anunciando a descoberta de um segundo primo de José Sócrates (ver página 7), já ventilada pelo semanário "Sol".

 

As declarações em que a Prisa nega à agência Lusa a autoria da decisão de acabar com a edição das sextas criou um clima de suspeição sobre a origem da ordem. Afinal, quem mandou retirar Manuela Moura Guedes do ar?

 

O grupo espanhol que detém a Media Capital, dona da TVI, garante que a decisão foi tomada em Lisboa, contrariando as fontes internas da estação de Queluz, que insistem na tese de que a imposição "veio de Espanha" e através de telefonemas directos recebidos pelo director de Informação. Apesar das sucessivas tentativas, a Prisa não respondeu às questões do JN.

 

"Foi uma decisão que se insere no âmbito da gestão da direcção da cadeia, com o envolvimento da direcção geral da Media Capital", fez saber a Prisa, realçando que há uma "total independência de gestão" por parte da Media Capital.

 

Sucede, porém, que os administradores-executivos da Media Capital são três, contando apenas com um português: Bernardo Bairrão, administrador-delegado e director-geral da TVI, que tentou adiar o cancelamento para depois das eleições. Num jogo de forças, há sempre dois contra um. Miguel Gil e Juan Herrero são os outros administradores-executivos.

 

E Juan Luís Cebrián, presidente-executivo da Prisa, acumula na Media Capital o cargo de administrador não-executivo.

 

De qualquer modo, Bernardo Bairrão continua a ser o "homem forte" nesta fase atribulada da estação de Queluz. A hipótese da sua saída foi negada pelo próprio. Durante o dia de ontem, o director-geral ocupou-se com as diligências que visam repor, com brevidade, uma direcção de Informação. A escolha deverá ser feita até terça-feira. Além do nome de Henrique Garcia, outra das hipóteses em cima da mesa envolve os profissionais já na chefia da Redacção, que poderiam ser reconduzidos para novos cargos. Júlio Magalhães não foi convidado.

 

Cavaco Silva evocou a liberdade conquistada há mais de 30 anos para se referir ao caso TVI. "A liberdade de expressão e de informação foi um bem precioso que conquistámos no 25 de Abril e que todos os portugueses desejam ver preservado". Sem se pronunciar directamente sobre o sucedido, o presidente da República preferiu deixar o alerta sobre eventuais lesões à liberdade de expressão.

 

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social abriu um processo de averiguações com carácter de urgência. Segundo juristas ouvidos pelo JN, caso se prove que houve interferência da Administração nos conteúdos noticiosos, estar-se-á diante de uma inconstitucionalidade.

 

Para Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, "é preocupante" o que se está a passar na TVI. "Estou solidário com Manuela Moura Guedes", afirma.

 

"Mesmo tratando-se de um programa de baixo nível, a Liberdade de Imprensa deve ser defendida também através de um programa execrável como este". O jurista, recorde-se, protagonizou um confronto, em directo, com Manuela Moura Guedes, durante o qual não teve peias em a acusar de falta de rigor e isenção.

 

Miguel Paes do Amaral e Emídio Rangel tornaram públicas críticas violentas ao "Jornal Nacional". Para o ex-director da RTP, aquele bloco noticioso "envergonhava os jornalistas portugueses".

 

Posição diferente demonstram as pessoas que ontem se concentraram à porta da TVI, numa vigília em defesa da Liberdade de Imprensa.

 

 

publicado por KV às 16:40
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Promo do Jornal Nacional censurada

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Sexta-feira, 4 de Setembro de 2009

Prisa nega involvimento

 A Prisa negou hoje, sexta-feira, qualquer interferência na polémica decisão tomada pela TVI de suspender o Jornal Nacional de sexta-feira, insistindo que se tratou de uma decisão da equipa de direcção em Lisboa.

 

"Foi uma decisão que se insere no âmbito da gestão da direcção da cadeia (de televisão) e com o envolvimento da Direcção Geral da Media Capital", afirmou à Lusa fonte oficial da Prisa.

 

"Quando se coloca à frente de uma empresa uma equipa de direcção temos que respeitar a sua decisão. E isso é tudo", sublinhou.

 

A mesma fonte rejeitou ainda notícias de que o próprio Conselheiro Delegado da Prisa, Juan Luis Cebrián, se tenha envolvido directamente no caso, insistindo que a Prisa "respeita a independência de gestão" de todas as suas empresas.

 

"O Conselho Delegado tem o papel de marcar as directrizes gerais da empresa, definir por exemplo se vamos ou não reforçar a presença neste ou naquele país. Mas quando há uma empresa (Media Capital) que tem uma direcção-geral e um conselheiro delegado, são eles que gerem essa companhia", disse ainda.

 

Normalmente, frisou a fonte, decisões como estas na TVI são tomadas por cada equipa directiva, no local onde está, sem consultas prévias à sede em Madrid e porque a Prisa "confia nas equipas gestoras que tem em qualquer local".

 

"Naturalmente que depois, a nível interno, há uma cadeia de comunicação, mas as decisões não são tomadas com consultas prévias", frisou.

 

Seria impensável, insistiu a fonte, considerar que cada decisão que se toma pelas empresas do grupo Prisa tivesse que passar pelo crivo da sede em Madrid.

 

"A posição da Prisa é respeitar e confiar nas decisões das suas equipas de gestores, neste caso da TVI e da Media Capital", sublinhou.

 

"Cada uma das empresas tem a posição que tem e uma equipa de direcção que actua. A Media Capital tem demonstrado ter mantido uma gestão que se evidencia nas audiências", frisou.

 

Outras fontes da Prisa consultadas pela Lusa em Madrid manifestaram "surpresa" pela reacção em Portugal em torno à suspensão do jornal da TVI, considerando que é uma "decisão normal na gestão do dia-a-dia da empresa".

 

Frisando "total independência de gestão" da Media Capital e da equipa directiva da TVI, responsáveis da Prisa insistem que no caso de Portugal "o que não está partido não é preciso compor".

 

Em Julho de 2005 a Prisa, o maior grupo de comunicação social espanhol, que detém o El País, a rádio cadena SER e o canal de televisão Cuatro, tornou-se o accionista principal da portuguesa Media Capital, entrando deste modo na TVI.

 

Em Outubro de 2006, a Prisa lançou uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre a totalidade das acções representativas do capital social da Media Capital, passando a controlar o grupo.

 

Rangel satisfeito

 

Emídio Rangel garantiu esta sexta-feira, à TSF, não ter recebido qualquer convite para ocupar um lugar na administração ou na direcção da TVI. Mas, o antigo director da RTP e da SIC diz que o afastamento de Manuela Moura Guedes "pode ser visto por muitos ângulos" e criticou a reacção aos partidos políticos da oposição.

 

Emídio Rangel disse que os partidos da oposição "produzem declarações sem cuidado de saber a quem cabia a decisão de acabar com o Jornal Nacional de sexta-feira. Vivem bem neste esquema de intriga, depois veio a provar-se que não havia nenhuma ligação ao PS e a Sócrates», adianta.

 

Segundo a TSF, Rangel elogiou também a Prisa, detentora da TVI, por acabar com o Jornal Nacional, um "espaço que envergonha jornalistas".

 

Esta sexta-feira, o Correio da Manhã afirma que a TVI pretende Emídio Rangel.

publicado por KV às 12:36
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Partidos reagem ao cancelamento do Jornal de Sexta da TVI

 Os partidos da oposição já se pronunciaram sobre o cancelamento do Jornal de Sexta da TVI, associando a decisão a interferência do Governo. O vice-presidente do PSD José Pedro Aguiar-Branco considera que a demissão da Direcção de Informação da TVI «consubstancia um dos maiores atentados à liberdade de informação de que há memória depois do 25 de Abril» e diz mesmo que «Portugal e a democracia portuguesa estão de luto».

 

Esta demissão «é a prova acabada de uma estratégia contínua e intencional de condicionamento, interferência e silenciamento de um órgão de comunicação social, próprio de uma sociedade que vive um cada vez mais insuportável clima de asfixia democrática».

 

«Temos um primeiro-ministro e um Governo que convivem mal, mesmo muito mal, com as liberdades e que não olham a meios enquanto não conseguem controlar ou silenciar quem os critica ou ousa pensar diferente», acusou.

 

Ordem socialista

 

Foi «ordem socialista» refere Paulo Portas, que classifica como um «acto de censura» que afecta a liberdade de expressão.

 

«Parece evidente que se trata de um acto de censura a três semanas das eleições. É uma ordem socialista através do seu aliado, a PRISA. É uma ordem vinda de Espanha mas que afecta directamente uma liberdade essencial dos portugueses», declarou Paulo Portas.

 

O líder do CDS-PP considera que o cancelamento do Jornal de Sexta é «a todos os títulos grave» e põe em causa a liberdade de expressão.

 

«Uma ordem de um certo poder económico que acha que pode controlar uma eleição política e democrática. A todos os títulos é grave. Goste-se ou não do tom e do estilo do Jornal Nacional. Há uma coisa mais importante, a liberdade de pensar e a liberdade de expressão», acrescentou Paulo Portas.

 

PCP lembra o «incómodo» de Sócrates

 

Por seu lado, o PCP refere que a «avaliação sobre a decisão de suspensão do Jornal Nacional da TVI e a subsequente demissão apresentada pela Direcção de Informação desta estação não é separável do conhecido e notório incómodo que, quer o Governo quer o primeiro-ministro, vinham demonstrando face aos conteúdos e critérios dominantes na edição deste serviço noticioso nas noites de sexta-feira».

 

Os comunistas acrescentam que, a «confirmar-se uma qualquer relação entre estes acontecimentos e eventuais pressões para influenciar num sentido favorável a interesses políticos e eleitorais do partido do governo», tal seria «um factor da maior gravidade no plano da liberdade de imprensa mas também do próprio ambiente e condições do debate eleitoral».

 

O PCP sublinha que o quadro político actual e, em particular, a fase de campanha eleitoral «exige de todos os órgãos de comunicação social uma linha de informação pautada por critérios de igualdade e de tratamento não discriminatório», factores a que o comunista promete «manter-se atento».

 

Comparação com a saída de Marcelo

 

O Bloco de Esquerda comparou o caso com o afastamento de Marcelo Rebelo de Sousa da mesma estação de televisão. «O que tivemos hoje faz-nos lembrar um episódio que ocorreu durante o Governo PSD e CDS-PP na mesma estação de televisão que levou ao afastamento de Marcelo Rebelo de Sousa porque os seus comentários incomodavam o Governo da altura. As pressões foram imensas e resultaram exactamente no seu afastamento», disse a deputada do BE Helena Pinto.

 

«A suspensão do Jornal Nacional que nada previa que acontecesse tem lugar num contexto muito especial marcado pelo facto do primeiro-ministro ter escolhido como alvo de críticas este programa e esta estação de televisão e, por outro lado, ocorre a três semanas de se realizarem eleições importantíssimas no país», sublinhou.

publicado por KV às 11:55
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Primeiro-ministro comenta cancelamento do Jornal de Sexta da TVI e pede explicações à Media Capital

«Espero não ser prejudicado nas urnas e espero que toda a gente acredite no que estou a dizer. Eu não tenho nada a ver com o assunto. Tenho a certeza que nunca influenciei». A declaração de José Sócrates surge num período quente, depois do Jornal de Sexta ter sido suspenso pela administração da TVI e da direcção de informação se ter demitido.

 

ERC abre processo de averiguações> 

Redacção assinou abaixo-assinado de repúdio

 

O primeiro-ministro explicou o seu não envolvimento no processo na Quinta das Lágrimas, em Coimbra: «Esta decisão, que foi tomada no interior da empresa MediaCapital e que diz respeito ao Jornal de Sexta, é da exclusiva responsabilidade da administração da empresa».

 

Prisa remete comentários para Media Capital 

Sindicato mostra «repulsa e indignação»

 

«Nem eu, nem o Partido Socialista, nem o Governo, teve nada a ver com essa decisão, não a procurou influenciar, não a procurou sequer e por isso é absolutamente injusto, para não dizer mais, todas as acusações que são feitas relativamente à pretensa influência que o Governo ou o PS terá tido nessa decisão. Quero repudiar essas acusações, porque são injustas e infundadas», frisou.

 

Oposição fala em «acto de censura» 

Moniz: cancelamento do Jornal de Sexta é «um escândalo»

 

Sócrates aproveitou para criticar a oposição: «Verifico que há muitos dirigentes políticos que são capazes das maiores acusações sem a mínima prova. Eu quero recordar que esses dirigentes políticos, que são muito lestos a acusar o Partido Socialista de ter procurado influenciar uma decisão para a qual em nada contribuiu, à qual é totalmente estranho, quero recordar que Paulo Portas e Aguiar Branco eram ministros de um Governo que procurou influenciar no sentido de afastar o comentador Marcelo Rebelo de Sousa. Portanto, não me julguem à sua própria medida».

 

O primeiro-ministro repudia as «insinuações» e lembra que «nunca o Governo, nem o PS, nestes últimos quatro anos e meio, teve a mínima influência na TVI». Neste sentido, espera que a Media Capital venha explicar o que sucedeu:

 

«Nós queremos que a direcção da empresa dê explicações, porque é muito importante que explique cabalmente e de forma convincente quais as razões que a levaram a fazer isso. E faço com a autoridade moral de quem foi vítima desse Jornal de Sexta durante muitos meses. Não tenho medo desse Jornal de Sexta, nem procurei nenhuma forma de o evitar, pelo contrário».

 

«O país quer saber as razões que levaram a administração a proceder assim, porque eu não quero que fique a mínima suspeita que nem eu ou o Governo ou meu Partido possa ter a ver com isso, porque não teve. Eu não quero que o meu partido pague nestas eleições, porque tomaram a decisão hoje, a poucas semanas das eleições, e ficará sempre alguma ideia. As pessoas podem pensar que se ele criticou o Jornal de Sexta, talvez tenha alguma intenção por trás, mas eu nada tive a ver com isto».

 

Sócrates afirmou não ter «qualquer relação com a administração da Media Capital, nem com os seus accionistas».

publicado por KV às 11:43
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Miguel Sousa Tavares fala sobre este caso

O 'Jornal Nacional' desta quinta-feira da TVI abriu com a notícia da suspensão do 'Jornal de Sexta'. Em estúdio, Miguel Sousa Tavares condenou a atitude da administração.

 

No seu espaço de comentário, Miguel Sousa Tavares considerou a suspensão do 'Jornal de 6.ª'  'um acto completamente condenável' e considerou 'inadmissível' que uma administração com sede estrangeira [a espanhola Prisa] dite a linha editorial de uma televisão.

Sousa Tavares disse ainda que não consegue discortinar o bom senso desta decisão. O comentador considera que este acto vai beneficiar a campanha eleitoral do PSD e prejudicar o PS. 

 

O jornal da TVI abriu com a notícia da suspensão, citando a Lusa, e aludindo à reacção da Entidade Reguladora para a Comunicação Social que condenou o acto e disse que vai avançar com uma averiguação.

 

publicado por KV às 11:33
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