Terça-feira, 8 de Setembro de 2009

Fim do Jornal Nacional de Sexta sem responsável conhecido

O terramoto político causado pelo fim do Jornal Nacional de Sexta (JN6) de Manuela Moura Guedes pela administração da TVI continua a provocar réplicas, mas ainda não foi identificado o seu epicentro. Depois de na quinta-feira ter remetido todas as explicações para a Media Capital, a Prisa negou ontem qualquer interferência na decisão e insistiu nas responsabilidades em solo português.


O pingue-pongue entre a empresa-mãe (Prisa) e a sua subsidiária nacional (Media Capital) mantém-se. Fonte da Prisa precisou à Lusa que foi uma decisão "da direcção" do canal" e "com o envolvimento da direcção-geral da Media Capital". Mas na véspera a Media Capital atirava a responsabilidade para a Prisa e ontem nada quis acrescentar.

O PÚBLICO confirmou, no entanto, que a decisão foi comunicada na segunda-feira por Juan Luis Cebrián (administrador não-executivo da Media Capital e presidente executivo da Prisa) a Bernardo Bairrão. O administrador-delegado da Media Capital, que acumula o cargo de director-geral desde que José Eduardo Moniz saiu há um mês, explicou a Cebrián que o timing não era o adequado, por ser em vésperas do regresso do programa e pela promiximidade das eleições.

Na terça, Bairrão comunicou a decisão ao director de informação, pedindo segredo para tentar demover Espanha. Quarta-feira, derrotado, informou a direcção de que não havia retorno. Anteontem veio a decisão irrevogável que serviu de rastilho ao incêndio: a direcção de informação, de que Moura Guedes é subdirectora, pediu demissão e a equipa de editores seguiu-lhe o exemplo. E tudo o que se segue não tem segredo.

A notícia provocou ondas de choque e entrou na pré-campanha eleitoral. As suspeitas de interferência do Governo PS, que durante meses manteve uma relação conflituosa com a TVI, foram invocadas pela oposição e por vários analistas, enquanto os socialistas e o primeiro-ministro rejeitaram a suspeição e consideraram que eram eles as principais vítimas.

Ontem à tarde, o Presidente da República comentou o assunto. "A liberdade de expressão e de informação foi um bem precioso que conquistámos no 25 de Abril e penso que todos os portugueses desejam que seja preservado", afirmou Cavaco Silva em Lisboa. Questionado insistentemente sobre se foi posto em causa esse "bem precioso", Cavaco afirmou: "Espero que não, espero que não".

Em Berlim, onde se reuniu com a chanceler Asngela Merkel, a presidente do PSD confessou estar muito preocupada com o caso e prometeu tomar uma posição no regresso a Lisboa. 

Media Capital à venda

Na Prisa e na Media Capital não se desconhece que a saída de Moura Guedes da apresentação do JN6, em tempo eleitoral, marca a pré-campanha. Contudo, os gestores insistem que os seus timings são empresariais. Isto num momento em que o grupo atravessa sérias dificuldades financeiras e de relacionamento com o Governo espanhol.

Depois de anos de bom entendimento com os socialistas de Felipe González, a chegada à liderança do PSOE por José Luís Zapatero marcou um progressivo distanciamento. O facto de Zapatero ter apoiado a criação de um novo grupo de comunicação, a Mediapro, que controla o canal televisivo La Sexta e o diário espanhol Público, agravaram a situação. 

O mais recente episódio aconteceu no Conselho de Ministros extraordinário de 13 de Agosto, quando o executivo avançou com o decreto da televisão digital terrestre (TDT) por subscrição. Uma hora depois, a Mediapro anunciou o início das emissões de Gol TV, o seu canal por subscrição de TDT.

"A suspeita de que a verdadeira urgência para aprovação do decreto-lei é favorecer os interesses de uma empresa cujos proprietários estão ligados por laços de amizade ao poder foi sugerida inclusivamente por quem aplaudiu a medida", escreveu no El País Juan Luís Cebrián. Em entrevista à Cadena SER, a rádio do seu grupo, o CEO da Prisa foi mais longe: "Preocupa-me a qualidade democrática do nosso Governo, estar no poder não o autoriza para governar de forma caprichosa e arbitrária". 

Certo é que o grupo Prisa necessita de uma injecção de capital de pelo menos 300 milhões de euros até Outubro, para responder à pressão financeira dos bancos que concederam à empresa um adiamento nos empréstimos actuais, segundo a imprensa espanhola citada pela Lusa. O portal espanhol El Confidencial, que cita fontes da empresa, refere que a Prisa está a investir em várias alternativas para vender parte dos seus activos, numa altura em que a dívida total da empresa ultrapassa os cinco mil milhões de euros. 

Recorde-se que os bancos credores da Prisa, com destaque para o Santander, concederam em Maio um empréstimo de 1950 milhões de euros, que se vence em Março de 2010, com "duras condições" que a empresa terá que cumprir. Para isso, a Prisa está envolvida em várias negociações paralelas, sendo que uma das mais importantes se relaciona com a venda de 40 por cento da Digital Plus, a sua plataforma de televisão paga. Em curso está também a operação para venda de parte da Media Capital. Ao que o PÚBLICO apurou, o Natexis, banco de investimento francês, delegou no Financia, banco de investimento português, a tarefa de procurar um comprador da Media Capital.

TVI volta ao Freeport

Na estação de Queluz, o ambiente durante o dia foi de profunda tensão, com a ainda subdirectora de informação Manuela Moura Guedes a impedir que o trabalho da sua equipa fosse para o ar, permitindo apenas a transmissão de duas peças sobre o caso Freeport. O JN6 acabou por abrir com uma peça que dá conta de que a investigação judicial segue agora a pista de outro primo do primeiro-ministro José Sócrates, José Paulo Bernardo Pinto de Sousa, informações ontem também publicadas pelo semanário Sol.

Na segunda peça afirma-se que o secretário nacional adjunto do PS, André Figueiredo, já foi "interrogado" pelos investigadores, acrescentando que Pedro da Silva Pereira, ministro da Presidência e antigo secretário de Estado, também será ouvido no âmbito do processo, mas apenas depois das eleições.

publicado por KV às 16:00
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